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Social Learning – A interação mobilizando a aprendizagem

25
mai
2012

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Na maioria das organizações, sejam elas privadas ou governamentais, é bastante comum que o desenvolvimento das competências dos trabalhadores se realize por meio de ações formais de educação. Esta é a abordagem mais tradicional e também mais conhecida. Mas será que esta é a única forma de alavancar o desempenho dos trabalhadores?  Ou, por outro lado, será esta forma a mais eficaz realmente?

Buscando apresentar uma alternativa a esta questão, Etienne Wenger-Trayner e Beverly Wenger-Trayner, dois dos mais destacados estudiosos do mundo no campo das comunidades de prática e social learning, dirigiram um workshop na última terça-feira (25/05/2012). Clique aqui para ver o programa.

Logo no início da apresentação, fomos lembrados de que, desde os primórdios, o ser humano se organizou em “comunidades”. E que nestes grupos comunitários as pessoas se identificam como pares, membros de um mesmo grupo cultural que partilham de crenças e normas de conduta.  Algo bem diferente de estruturas formais e hierarquizadas, presentes nas organizações em que atuamos.

Nestas comunidades, o conhecimento não se localiza numa fonte única, mas emerge das relações entre os membros, que contribuem de forma mais espontânea.  Logo, a aprendizagem não se baseia na “transmissão” de conhecimento da “fonte oficial” para todos os membros da comunidade, porém muito mais da interação entre eles, tendo em vista que o conhecimento está distribuído entre todos e inclusive se renova por meio desta interação.

Transferindo esta reflexão para o ambiente organizacional, entende-se que os grupos comunitários devem envolver os praticantes, as pessoas que exercem o seu trabalho cotidianamente.  É entre eles que o conhecimento está distribuído, mais do que nas fontes institucionais de conhecimento.

A atuação com base nestas premissas requer que a organização implemente ferramentas e práticas de aprendizagem de forma a organizar e potencializar os fluxos de interação informais já existentes entre os colaboradores, possibilitando a consolidação e a estruturação de contribuições e de conhecimentos que emergem espontaneamente destas interações, de modo bastante informal.

Isso só será possível por meio de atividades de aprendizagem diferenciadas, que procurem valorizar o conhecimento já existente nos grupos comunitários, desde aquelas mais informais e baseadas na interação entre os membros, como: estudos de caso, exploração de ideias, discussões entre pares, demonstrações, debates, leituras colaborativas. Ou até mesmo aquelas mais formais e baseadas no aprendizado com um ator de destaque, como: workshops, palestras, dinâmicas de “siga o líder”, storytelling, visitas em campo e benchmarks, dentre outras.

Para que o compartilhamento e a disseminação dos conhecimentos que emergem da interação entre as pessoas nestas atividades diferenciadas ocorram de forma eficaz, é necessário que sejam estabelecidas as responsabilidades entre os atores, desde os moderadores até as pessoas que deverão buscar o patrocínio da organização, assim como aqueles que serão responsáveis por registrar e distribuir os conhecimentos emergentes.

Mas é importante destacar que a adequada implementação destas atividades requer a observação de orientações específicas, como:

·         É necessário que sejam envolvidos representantes de todos os grupos de stakeholders relacionados aos conhecimentos e que orientem às ações de aprendizagem;

·         Não se trata de desestruturar a hierarquia formal da organização. Antes, é necessário conquistar o apoio dos diferentes níveis hierárquicos, o que deverá reforçar a adoção das iniciativas;

·         Ao se dar início a uma atividade colaborativa é bom que seja estabelecido um problema e/ou desafio que seja parte da realidade imediata dos participantes do grupo comunitário, o que favorecerá o aporte dos conhecimentos;

·         Ao se desenvolver uma iniciativa de social learning, deve-se estar atento à cultura organizacional, com a qual a iniciativa deve estar alinhada a fim de obter legitimidade dos colaboradores.

Os desafios na implementação destas iniciativas são complexos, mas os resultados têm sido bastante compensatórios. Prova disso é a crescente adesão ao uso de soluções de social learning por organizações da mais alta relevância nos seus setores, como IBM, P&G, Caterpillar, Microsoft, Shell, Delloite, Unicef, Gerdau e ONU, assim como por órgãos governamentais em todos os continentes.

A organização em que você atua já está inserida neste contexto de social learning? Que tal começar já?

 

Cássio Ribeiro

Mariana Tavernari

Mônica Rottmann de Biazzi

Mobilização e engajamento das pessoas – Garantindo a efetividade da gestão do conhecimento e inovação

21
mar
2012

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Implementar a gestão do conhecimento pode trazer benefícios para a organização em vários sentidos. Por meio de seus processos, canais e instrumentos os colaboradores têm oportunidade de registrar conhecimentos antes restritos à sua experiência pessoal, assim como tem acesso aos conhecimentos relativos às experiências dos outros colaboradores, o que acelera a aprendizagem organizacional e potencializa a inovação.

Mas a implementação destes processos, canais e instrumentos de gestão do conhecimento, ainda que seja condição fundamental e necessária, pode não ser suficiente para alavancar a geração de inovações e de valor numa perspectiva contínua. É condição básica para isso o engajamento dos stakeholders com relação a este propósito, tanto líderes quanto colaboradores e, eventualmente, até mesmo fornecedores e clientes.

Acontece que nem sempre a realidade organizacional favorece este engajamento. Em muitas organizações as práticas e mesmo o estilo de liderança tem implícitos pressupostos que colocam colaboradores no papel único de execução das ordens da direção, clientes como simples fornecedores de dinheiro pelos produtos e serviços, assim como fornecedores na posição única de entregadores de produtos intermediários. Abordagens como essas certamente inibem o engajamento efetivo dos profissionais, limitando a geração de resultados efetivos.

E essa é uma situação complexa, principalmente porque na maioria das vezes essas premissas não estão explícitas, mas são inseridas nas práticas do cotidiano como elementos inquestionáveis. Não será necessário ir muito longe na memória para nos lembrarmos de situações em que elas estejam presentes, como por exemplo na dificuldade em dar e receber feedbacks, na pouca abertura da chefia para sugestões, no ambiente intimidador, na baixa qualidade das relações interpessoais, entre tantos outros aspectos, todos eles sinalizadores da dificuldade para o estabelecimento de diálogos efetivos.

Nessas circunstâncias, abre-se a oportunidade para a realização de intervenções mais profundas na dinâmica organizacional. Intervenções que poderão ocorrer por meio da aplicação de técnicas vivenciais coletivas, que servirão para sensibilizar os colaboradores e líderes com relação aos padrões sistêmicos de comportamento presentes no cotidiano que não favorecem o diálogo efetivo e o engajamento, assim como as consequências possivelmente prejudiciais desses padrões à sua realização enquanto indivíduos e, consequentemente, aos resultados organizacionais.

Com este reconhecimento a organização, na pessoa dos líderes e dos demais colaboradores, terá oportunidade de se engajar em iniciativas específicas, direcionadas à transformação de comportamentos individuais e coletivos, práticas, procedimentos e até mesmo processos, de modo a superar àqueles padrões sistêmicos prejudiciais anteriormente identificados.

Tais intervenções são mais eficazes na medida em que as lideranças permitam o estabelecimento de interações livres, juntando-se como iguais aos demais colaboradores, numa perspectiva não hierarquizada.  Para que isso seja possível é necessária a observação de certas condições específicas.

É fundamental a preparação de um ambiente que estimule a participação de todos os stakeholders como iguais. Isso pode ser feito tanto por meio de técnicas simples, como a organização de um círculo, como por meio de técnicas mais sofisticadas, como o design thinking.

Outro ponto importante é a facilitação da ação, que deve garantir o estabelecimento de um campo de interação colaborativa, o qual pode ser mediado com o uso de diversas técnicas de discussão participativa, como a Investigação Apreciativa, World Café, Open Space e Círculos, entre outros.

O sucesso na realização dessas intervenções depende de vários fatores, entre os quais podemos destacar:

·         Consistência no diagnóstico do contexto organizacional;

·         Clareza no propósito a ser alcançado com a intervenção;

·         Participação efetiva de todos os stakeholders envolvidos;

·         Entendimento prévio do perfil destes stakeholders;

·         Adequação da técnica e do estilo de facilitação ao contexto específico.

A realização de intervenções desta natureza pode ser de fundamental importância para o estabelecimento das condições necessárias para que a organização se beneficie dos processos e fluxos de gestão de conhecimento e de inovação em todo seu potencial, alcançando desta forma a superação do seu desempenho e a geração de valor de forma contínua.

A organização em que você atua já dispõe das condições para o engajamento efetivo dos colaboradores?

Facebook: cassio.ribeiro
 
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