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Gestão do Conhecimento na Esfera Pública: desafios e oportunidades

22
ago
2010

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Os desafios públicos demandam soluções inovadoras para lidar ou solucionar desafios cada vez mais complexos e sistêmicos. É com esta perspectiva que advocamos o uso mais intenso da visão, preceitos, métodos e ferramentas da Gestão do Conhecimento na esfera pública. Os desafios da incorporação da Gestão do Conhecimento de forma profunda são enormes, mas também inúmeras são as possibilidades e as oportunidades.  As oportunidades advém da combinação dos seguintes elementos: trabalho em rede, larga escala, inteligência coletiva, agilidade e capilaridade.

As organizações públicas têm, ao mesmo tempo, a vantagem e a desvantagem da perenidade. A vantagem é que seus funcionários ainda têm sua vida profissional amplamente ligada à organização e à sua evolução, o que facilita o compartilhamento e a retenção de conhecimento. A desvantagem óbvia é que a ausência de competição, do risco de falência ou perda de mercado levam a uma certa acomodação, o que leva a uma perda do senso de urgência em termos de capacitação, criação de conhecimento e inovação.

Por razões legais específicas brasileiras, nas organizações públicas o conhecimento está muito mais intimamente associado a um cargo específico do que na empresa privada. Afinal, os funcionários prestam concurso público para um determinado cargo, função, etc. Isto gera como consequência indesejada a visão do indivíduo muito mais amarrado ao cargo e à função do que às suas competências e potencial. Numa sociedade em que o aprendizado constante, a lateralidade e a flexibilidade são importantes características de quem trabalha com  conhecimento o vínculo estreito com o cargo não é algo desejável. Na Sociedade do Conhecimento, pelo contrário, os indivíduos passam a ser vistos em todo o seu potencial criativo, pelo acúmulo de suas experiências ao longo de sua vida e pelo seu potencial de se engajar em diferentes tipos de comunidades de aprendizado, práticas e projetos.

Neste contexto é fácil tornar a Gestão do Conhecimento no setor público apenas mais um processo burocrático, uma tarefa adicional para os funcionários, e com isso não trazer nenhum valor para a sociedade. A fórmula ou o antídoto para este possível desvio é focar a Gestão do Conhecimento em ações que agreguem diretamente valor aos serviços e produtos oferecidos aos cidadãos. Neste sentido, alguns objetivos da Gestão do Conhecimento podem incluir, por exemplo: facilitar a compreensão e a busca dos serviços do governo disponíveis para o cidadão via Internet, inclusive móvel; a replicação de boas práticas de serviços entre diversas unidades espalhadas pela cidade, estado ou país; compartilhamento de custos de capacitação entre diversas instâncias de governo por meio do uso mais intensivo de tecnologia de informação, etc.

A Web 2.0, em particular, pode significar uma revolução na administração pública se seus princípios, valores e ferramentas forem abraçados em grande escala. Olhando apenas dentro das organizações públicas a Web 2.0 pode vir a chacoalhar alguns preceitos dos modelos altamente hierarquizados e burocratizados da administração pública, pois ela estimula o protagonismo, a informalidade, a horizontalidade e a velocidade. Do ponto de vista do relacionamento com a sociedade, a Web 2.0 pode levar, principalmente, à maior transparência, engajamento e inovação.

As ferramentas da Web 2.0, são, em geral, bastante simples de serem customizadas e, em boa medida, podem ser utilizados aplicativos que estão na nuvem (cloud computing) que permitem reduzir drasticamente a velocidade e custo de implementação, assim como acelerar a curva de adoção. Temos realizado várias pesquisas e participado de alguns projetos nos últimos dois anos que mostram que as ferramentas da Web 2.0 vem sendo adotadas no Executivo, Legislativo e Judiciário em vários países. Soluções podem ser encontradas em praticamente todas as esferas de Governo: na Saúde, Educação, Transporte, Polícia, etc.

De wikis, a blogs ao uso de ferramentas como Facebook temos visto inúmeras aplicações que mostram apenas o início de uma grande curva de adoção que deve ocorrer nos próximos anos. Estamos mudando de patamar de forma semelhante ao que ocorreu na passagem da máquina de escrever para o computador. Mãos, ou melhor cabeça, à obra!

Twitter: @claudioterra

 

Gestão do Conhecimento na Esfera Pública: desafios e oportunidades

Os desafios públicos demandam soluções inovadoras para lidar ou solucionar desafios cada vez mais complexos e sistêmicos. É com esta perspectiva que advocamos o uso mais intenso da visão, preceitos, métodos e ferramentas da Gestão do Conhecimento na esfera pública. Os desafios da incorporação da Gestão do Conhecimento de forma profunda são enormes, mas também inúmeras são as possibilidades e as oportunidades.  As oportunidades advém da combinação dos seguintes elementos: trabalho em rede, larga escala, inteligência coletiva, agilidade e capilaridade.

As organizações públicas têm, ao mesmo tempo, a vantagem e a desvantagem da perenidade. A vantagem é que seus funcionários ainda têm sua vida profissional amplamente ligada à organização e à sua evolução, o que facilita o compartilhamento e a retenção de conhecimento. A desvantagem óbvia é que a ausência de competição, do risco de falência ou perda de mercado levam a uma certa acomodação, o que leva a uma perda do senso de urgência em termos de capacitação, criação de conhecimento e inovação.

Por razões legais específicas brasileiras, nas organizações públicas o conhecimento está muito mais intimamente associado a um cargo específico do que na empresa privada. Afinal, os funcionários prestam concurso público para um determinado cargo, função, etc. Isto gera como consequência indesejada a visão do indivíduo muito mais amarrado ao cargo e à função do que às suas competências e potencial. Numa sociedade em que o aprendizado constante, a lateralidade e a flexibilidade são importantes características de quem trabalha com  conhecimento o vínculo estreito com o cargo não é algo desejável. Na Sociedade do Conhecimento, pelo contrário, os indivíduos passam a ser vistos em todo o seu potencial criativo, pelo acúmulo de suas experiências ao longo de sua vida e pelo seu potencial de se engajar em diferentes tipos de comunidades de aprendizado, práticas e projetos.

Neste contexto é fácil tornar a Gestão do Conhecimento no setor público apenas mais um processo burocrático, uma tarefa adicional para os funcionários, e com isso não trazer nenhum valor para a sociedade. A fórmula ou o antídoto para este possível desvio é focar a Gestão do Conhecimento em ações que agreguem diretamente valor aos serviços e produtos oferecidos aos cidadãos. Neste sentido, alguns objetivos da Gestão do Conhecimento podem incluir, por exemplo: facilitar a compreensão e a busca dos serviços do governo disponíveis para o cidadão via Internet, inclusive móvel; a replicação de boas práticas de serviços entre diversas unidades espalhadas pela cidade, estado ou país; compartilhamento de custos de capacitação entre diversas instâncias de governo por meio do uso mais intensivo de tecnologia de informação, etc.

A Web 2.0, em particular, pode significar uma revolução na administração pública se seus princípios, valores e ferramentas forem abraçados em grande escala. Olhando apenas dentro das organizações públicas a Web 2.0 pode vir a chacoalhar alguns preceitos dos modelos altamente hierarquizados e burocratizados da administração pública, pois ela estimula o protagonismo, a informalidade, a horizontalidade e a velocidade. Do ponto de vista do relacionamento com a sociedade, a Web 2.0 pode levar, principalmente, à maior transparência, engajamento e inovação.

As ferramentas da Web 2.0, são, em geral, bastante simples de serem customizadas e, em boa medida, podem ser utilizados aplicativos que estão na nuvem (cloud computing) que permitem reduzir drasticamente a velocidade e custo de implementação, assim como acelerar a curva de adoção. Temos realizado várias pesquisas e participado de alguns projetos nos últimos dois anos que mostram que as ferramentas da Web 2.0 vem sendo adotadas no Executivo, Legislativo e Judiciário em vários países. Soluções podem ser encontradas em praticamente todas as esferas de Governo: na Saúde, Educação, Transporte, Polícia, etc.

De wikis, a blogs ao uso de ferramentas como Facebook temos visto inúmeras aplicações que mostram apenas o início de uma grande curva de adoção que deve ocorrer nos próximos anos. Estamos mudando de patamar de forma semelhante ao que ocorreu na passagem da máquina de escrever para o computador. Mãos, ou melhor cabeça, à obra!

Twitter: @claudioterra

 

Comentários


Massahaki Shimada
8/2/2011 11:43

Gestão de Conhecimento na Esfera Pública

Parabéns Cláudio, porém gostaria que estendesse nas áreas da saúde, segurança, transporte, etc... e, também, sobre aplicação nas secretarias meio para minimizar a burocracia.

friv
5/8/2011 0:26

Re: Gestão do Conhecimento na Esfera Pública: desafios e oportunidades

I like this very much,very good post.


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Comentários

Gestão de Conhecimento na Esfera Pública

Parabéns Cláudio, porém gostaria que estendesse nas áreas da saúde, segurança, transporte, etc... e, também, sobre aplicação nas secretarias meio para minimizar a burocracia.
em 8/2/2011 11:43

Re: Gestão do Conhecimento na Esfera Pública: desafios e oportunidades

I like this very much,very good post.
em 5/8/2011 00:26

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