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Indicadores de Gestão do Conhecimento: depende para quê

12
jul
2010

comente (4)

Já vi acontecer muitas vezes: quando se fala de indicadores, métricas e avaliação dos resultados da gestão do conhecimento, o tema é colocado com um tom desafiador, como se a importância de lidar com o conhecimento de forma mais estruturada fosse questionável.

“Como vou saber se vale a pena investir em gestão do conhecimento? Quanto tempo as pessoas vão gastar com isso? Que resultados essa gestão do conhecimento vai trazer para a empresa?” Essas e outras perguntas frequentemente partem da premissa de que a gestão do conhecimento teria que “mostrar seu valor”, provar que é importante. O questionamento nas entrelinhas é: “vale a pena investir em gestão do conhecimento?” Nessa lógica, os indicadores deveriam servir como prova se vale ou não a pena adotar algum tipo de gestão sobre o que envolve o conhecimento organizacional.

Essa é a pergunta errada. A discussão deveria começar em outro patamar.

O conhecimento é essencial a todas as atividades humanas, e desempenha um papel crítico na economia de hoje. Como tal, é um elemento-chave nos processos organizacionais. Em 1969 Peter Drucker já enxergava que estava nascendo a “sociedade do conhecimento”, na qual o conhecimento seria o principal recurso produtivo (The Age of Discontinuity: Guidelines to Our Changing Society, 1969). A própria OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico afirma que o conhecimento hoje é “o principal indutor da produtividade e do crescimento econômico” (The Knowledge-Based Economy, 1996). E o conceito de capital intelectual vem sendo largamente utilizado pelo menos desde 1997, quando Thomas Stewart e Karl Sveiby, em suas respectivas obras, colocaram no centro da discussão o conhecimento como o ativo intangível mais valioso – inclusive financeiramente – das organizações.

Se ainda assim alguém tem dúvida se vale a pena investir em conhecimento, “que experimente a ignorância” (parafraseando a provocação de Derek Bok, duas vezes diretor da Universidade de Harvard, ao se referir à importância da educação). Ou por acaso alguém tem de provar que vale a pena gastar um centavo que seja em linhas telefônicas, ou em computadores e conexão internet? Alguém precisa calcular o ROI (retorno sobre o investimento) relativo às instalações elétricas de um escritório? Provavelmente não, pois são ativos e atributos fundamentais para que o negócio possa existir. Assim como o conhecimento – que, diferentemente destes ativos básicos, desempenha um papel de altíssima relevância na competitividade do negócio.

Enfim, a pergunta certa não é SE vale a pena fazer gestão do conhecimento, mas sim COMO fazer. E os indicadores de gestão do conhecimento devem servir a esse propósito: contribuir para o direcionamento e aprimoramento das práticas de gestão do conhecimento, uma disciplina sobre a qual ainda temos muito o que aprender.

Colocados os pingos nos is, tratemos de discutir os indicadores de GC. Será meu próximo post neste blog.

 

Indicadores de Gestão do Conhecimento: depende para quê

Já vi acontecer muitas vezes: quando se fala de indicadores, métricas e avaliação dos resultados da gestão do conhecimento, o tema é colocado com um tom desafiador, como se a importância de lidar com o conhecimento de forma mais estruturada fosse questionável.

“Como vou saber se vale a pena investir em gestão do conhecimento? Quanto tempo as pessoas vão gastar com isso? Que resultados essa gestão do conhecimento vai trazer para a empresa?” Essas e outras perguntas frequentemente partem da premissa de que a gestão do conhecimento teria que “mostrar seu valor”, provar que é importante. O questionamento nas entrelinhas é: “vale a pena investir em gestão do conhecimento?” Nessa lógica, os indicadores deveriam servir como prova se vale ou não a pena adotar algum tipo de gestão sobre o que envolve o conhecimento organizacional.

Essa é a pergunta errada. A discussão deveria começar em outro patamar.

O conhecimento é essencial a todas as atividades humanas, e desempenha um papel crítico na economia de hoje. Como tal, é um elemento-chave nos processos organizacionais. Em 1969 Peter Drucker já enxergava que estava nascendo a “sociedade do conhecimento”, na qual o conhecimento seria o principal recurso produtivo (The Age of Discontinuity: Guidelines to Our Changing Society, 1969). A própria OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico afirma que o conhecimento hoje é “o principal indutor da produtividade e do crescimento econômico” (The Knowledge-Based Economy, 1996). E o conceito de capital intelectual vem sendo largamente utilizado pelo menos desde 1997, quando Thomas Stewart e Karl Sveiby, em suas respectivas obras, colocaram no centro da discussão o conhecimento como o ativo intangível mais valioso – inclusive financeiramente – das organizações.

Se ainda assim alguém tem dúvida se vale a pena investir em conhecimento, “que experimente a ignorância” (parafraseando a provocação de Derek Bok, duas vezes diretor da Universidade de Harvard, ao se referir à importância da educação). Ou por acaso alguém tem de provar que vale a pena gastar um centavo que seja em linhas telefônicas, ou em computadores e conexão internet? Alguém precisa calcular o ROI (retorno sobre o investimento) relativo às instalações elétricas de um escritório? Provavelmente não, pois são ativos e atributos fundamentais para que o negócio possa existir. Assim como o conhecimento – que, diferentemente destes ativos básicos, desempenha um papel de altíssima relevância na competitividade do negócio.

Enfim, a pergunta certa não é SE vale a pena fazer gestão do conhecimento, mas sim COMO fazer. E os indicadores de gestão do conhecimento devem servir a esse propósito: contribuir para o direcionamento e aprimoramento das práticas de gestão do conhecimento, uma disciplina sobre a qual ainda temos muito o que aprender.

Colocados os pingos nos is, tratemos de discutir os indicadores de GC. Será meu próximo post neste blog.

 

Comentários


Rodrigo C. Leite
12/7/2010 22:44

Resultado?

Concordo plenamente, Beto. Tudo depende do que se quer medir, o que realmente importa é que exista um direcionamento estratégico voltado a considerar o conhecimento como um ativo da organização.

Beto do Valle
13/7/2010 12:46

Re: Resultado?

Rodrigo, esse é o ponto. Se a organização tem uma direção clara, tem condições de saber quais os conhecimentos realmente relevantes para a busca de resultados. E assim pode medir como a utilização dos conhecimentos -- e os processos de GC envolvidos -- está contribuindo para esse direcionamento, quanto os ativos de conhecimento estão sendo aproveitados para a geração de valor. Medir apenas para saber se existe ou não contribuição é medir pelos motivos errados. Obrigado pelo comentário!

Alfredo Mendívil
13/7/2010 16:00

ROI?

Genial Beto!!!! Principalmente a comparação com "fios elétricos". O que mais me impressiona é ver como as organizações efetivamente investem muito em conhecimento ao: buscar talentos, estruturar processos de inovação, desenvolvimento de pessoas, P&D, etc., etc., etc. Mas quando se trata de estruturar todos estes processos para alavancar o conhecimento organizacional por meio de um processo de GC, aí olham com cara feia o INVESTIMENTO a ser realizado.

Beto do Valle
13/7/2010 16:14

Re: ROI?

Obrigado pelos comentários, Alfredo! Sem dúvida, as organizações não deixam de ver a importância de investir em conhecimento, porém vêm fazendo isso de forma fragmentada, e aproveitam apenas uma pequena parte do imenso potencial de geração de valor. Porém demonstram dificuldade diante da ideia de uma abordagem mais estrututrada da gestão do conhecimento, articulando esses vários fragmentos a partir de uma estratégia consistente. Essa dificuldade de enxergar o todo -- o cnhecimento organizacional, como você mencionou -- se reflete também em um olhar limitado quanto aos indicadores de GC. Felizmente, muitas organizações têm tido avanços significativos.


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Comentários

Resultado?

Concordo plenamente, Beto. Tudo depende do que se quer medir, o que realmente importa é que exista um direcionamento estratégico voltado a considerar o conhecimento como um ativo da organização.
em 12/7/2010 22:44

Re: Resultado?

Rodrigo, esse é o ponto. Se a organização tem uma direção clara, tem condições de saber quais os conhecimentos realmente relevantes para a busca de resultados. E assim pode medir como a utilização dos conhecimentos -- e os processos de GC envolvidos -- está contribuindo para esse direcionamento, quanto os ativos de conhecimento estão sendo aproveitados para a geração de valor. Medir apenas para saber se existe ou não contribuição é medir pelos motivos errados. Obrigado pelo comentário!
em 13/7/2010 12:46

ROI?

Genial Beto!!!! Principalmente a comparação com "fios elétricos". O que mais me impressiona é ver como as organizações efetivamente investem muito em conhecimento ao: buscar talentos, estruturar processos de inovação, desenvolvimento de pessoas, P&D, etc., etc., etc. Mas quando se trata de estruturar todos estes processos para alavancar o conhecimento organizacional por meio de um processo de GC, aí olham com cara feia o INVESTIMENTO a ser realizado.
em 13/7/2010 16:00

Re: ROI?

Obrigado pelos comentários, Alfredo! Sem dúvida, as organizações não deixam de ver a importância de investir em conhecimento, porém vêm fazendo isso de forma fragmentada, e aproveitam apenas uma pequena parte do imenso potencial de geração de valor. Porém demonstram dificuldade diante da ideia de uma abordagem mais estrututrada da gestão do conhecimento, articulando esses vários fragmentos a partir de uma estratégia consistente. Essa dificuldade de enxergar o todo -- o cnhecimento organizacional, como você mencionou -- se reflete também em um olhar limitado quanto aos indicadores de GC. Felizmente, muitas organizações têm tido avanços significativos.
em 13/7/2010 16:14

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