Já vi acontecer muitas vezes: quando se fala de indicadores, métricas e avaliação dos resultados da gestão do conhecimento, o tema é colocado com um tom desafiador, como se a importância de lidar com o conhecimento de forma mais estruturada fosse questionável.
“Como vou saber se vale a pena investir em gestão do conhecimento? Quanto tempo as pessoas vão gastar com isso? Que resultados essa gestão do conhecimento vai trazer para a empresa?” Essas e outras perguntas frequentemente partem da premissa de que a gestão do conhecimento teria que “mostrar seu valor”, provar que é importante. O questionamento nas entrelinhas é: “vale a pena investir em gestão do conhecimento?” Nessa lógica, os indicadores deveriam servir como prova se vale ou não a pena adotar algum tipo de gestão sobre o que envolve o conhecimento organizacional.
Essa é a pergunta errada. A discussão deveria começar em outro patamar.
O conhecimento é essencial a todas as atividades humanas, e desempenha um papel crítico na economia de hoje. Como tal, é um elemento-chave nos processos organizacionais. Em 1969 Peter Drucker já enxergava que estava nascendo a “sociedade do conhecimento”, na qual o conhecimento seria o principal recurso produtivo (The Age of Discontinuity: Guidelines to Our Changing Society, 1969). A própria OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico afirma que o conhecimento hoje é “o principal indutor da produtividade e do crescimento econômico” (The Knowledge-Based Economy, 1996). E o conceito de capital intelectual vem sendo largamente utilizado pelo menos desde 1997, quando Thomas Stewart e Karl Sveiby, em suas respectivas obras, colocaram no centro da discussão o conhecimento como o ativo intangível mais valioso – inclusive financeiramente – das organizações.
Se ainda assim alguém tem dúvida se vale a pena investir em conhecimento, “que experimente a ignorância” (parafraseando a provocação de Derek Bok, duas vezes diretor da Universidade de Harvard, ao se referir à importância da educação). Ou por acaso alguém tem de provar que vale a pena gastar um centavo que seja em linhas telefônicas, ou em computadores e conexão internet? Alguém precisa calcular o ROI (retorno sobre o investimento) relativo às instalações elétricas de um escritório? Provavelmente não, pois são ativos e atributos fundamentais para que o negócio possa existir. Assim como o conhecimento – que, diferentemente destes ativos básicos, desempenha um papel de altíssima relevância na competitividade do negócio.
Enfim, a pergunta certa não é SE vale a pena fazer gestão do conhecimento, mas sim COMO fazer. E os indicadores de gestão do conhecimento devem servir a esse propósito: contribuir para o direcionamento e aprimoramento das práticas de gestão do conhecimento, uma disciplina sobre a qual ainda temos muito o que aprender.
Colocados os pingos nos is, tratemos de discutir os indicadores de GC. Será meu próximo post neste blog.