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Aprendendo a pilotar

27
jun
2010

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Usualmente, projetos que implementamos começam com pilotos. Intranets, portais de processos, comunidades de prática, redes sociais, etc. Essa é uma abordagem muito interessante, pois possibilita observar na prática erros e acertos, e realizar ajustes de rota sem causar muito impacto no lançamento amplo.

Mas será que esse conceito de piloto é realmente claro no mercado? Um piloto geralmente possui algumas características básicas, que o tornam uma ferramenta de grande importância para os projetos:

1. Prova de conceito. Um piloto geralmente serve para testar um conceito na prática. Ou seja, o projeto precisa estar com o conceito finalizado antes de partir para o piloto: público que será atingido, objetivos, resultados esperados, projeto de experiência do usuário, mecanismos de incentivo e reconhecimento, etc. Se isto não estiver finalizado, não adianta entrar em piloto. Existem métodos específicos para testar cada uma destas dimensões citadas antes de entrar no piloto: grupos focais, testes com usuários, etc. O conceito da iniciativa precisa estar maduro antes de iniciar o piloto.

2. Timing. Um piloto é diferente de um projeto "beta", bastante comum entre as iniciativas de mídias sociais (repare: praticamente todas as aplicações são "beta", hoje em dia). O beta normalmente representa um período de testes antes da versão "final". Não envolve um grupo específico de pessoas para teste como o piloto; geralmente o lançamento ocorre de maneira ampla. Existe hoje uma discussão sobre a flexibilização do conceito de "beta" (o famoso "beta eterno"), que não vou me ater aqui.

3. Número reduzido de pessoas. O piloto precisa envolver um grupo reduzido de pessoas. Não é incomum vermos pilotos sendo lançados para toda a organização ou para 60, 50 ou 40% dela. Em um piloto tão abrangente assim, fica muito mais difícil envolver as pessoas e observar seu uso. Existe também um grande risco de que as pessoas não vejam o piloto como algo em fase de testes - já que está disponível para todos - comprometendo o caráter desta ferramenta. É necessário fazer um corte: geográfico, por área, por cargo, etc. que represente bem o público final da iniciativa.

4. Tempo para aprendizado, observação e ajustes. O cronograma de lançamento de uma iniciativa precisa prever tempo suficiente para estas atividades. Quanto mais distante do que as pessoas estão acostumadas é o projeto, mais tempo para aprendizado e observação é necessário. Não há um prazo único, ele varia de acordo com o tipo de iniciativa, tamanho da organização e até mesmo distribuição geográfica.

5. Comunicação direcionada. Não é recomendável iniciar um piloto e comunicar amplamente. Isso irá gerar uma série de questionamentos sobre o critério de escolha do grupo para o piloto, reação negativa antecipada ao projeto, etc. O ideal é realizar uma comunicação direcionada para os usuários do piloto e informar para a organização o que está ocorrendo, para dar transparência ao processo.

É importante observar estas questões antes de iniciar um piloto, para não comprometer o lançamento amplo e não afetar a credibilidade da iniciativa que será implementada.

Twitter: @prfloriano

Aprendendo a pilotar
Usualmente, projetos que implementamos começam com pilotos. Intranets, portais de processos, comunidades de prática, redes sociais, etc. Essa é uma abordagem muito interessante, pois possibilita observar na prática erros e acertos, e realizar ajustes de rota sem causar muito impacto no lançamento amplo.

Mas será que esse conceito de piloto é realmente claro no mercado? Um piloto geralmente possui algumas características básicas, que o tornam uma ferramenta de grande importância para os projetos:

1. Prova de conceito. Um piloto geralmente serve para testar um conceito na prática. Ou seja, o projeto precisa estar com o conceito finalizado antes de partir para o piloto: público que será atingido, objetivos, resultados esperados, projeto de experiência do usuário, mecanismos de incentivo e reconhecimento, etc. Se isto não estiver finalizado, não adianta entrar em piloto. Existem métodos específicos para testar cada uma destas dimensões citadas antes de entrar no piloto: grupos focais, testes com usuários, etc. O conceito da iniciativa precisa estar maduro antes de iniciar o piloto.

2. Timing. Um piloto é diferente de um projeto "beta", bastante comum entre as iniciativas de mídias sociais (repare: praticamente todas as aplicações são "beta", hoje em dia). O beta normalmente representa um período de testes antes da versão "final". Não envolve um grupo específico de pessoas para teste como o piloto; geralmente o lançamento ocorre de maneira ampla. Existe hoje uma discussão sobre a flexibilização do conceito de "beta" (o famoso "beta eterno"), que não vou me ater aqui.

3. Número reduzido de pessoas. O piloto precisa envolver um grupo reduzido de pessoas. Não é incomum vermos pilotos sendo lançados para toda a organização ou para 60, 50 ou 40% dela. Em um piloto tão abrangente assim, fica muito mais difícil envolver as pessoas e observar seu uso. Existe também um grande risco de que as pessoas não vejam o piloto como algo em fase de testes - já que está disponível para todos - comprometendo o caráter desta ferramenta. É necessário fazer um corte: geográfico, por área, por cargo, etc. que represente bem o público final da iniciativa.

4. Tempo para aprendizado, observação e ajustes. O cronograma de lançamento de uma iniciativa precisa prever tempo suficiente para estas atividades. Quanto mais distante do que as pessoas estão acostumadas é o projeto, mais tempo para aprendizado e observação é necessário. Não há um prazo único, ele varia de acordo com o tipo de iniciativa, tamanho da organização e até mesmo distribuição geográfica.

5. Comunicação direcionada. Não é recomendável iniciar um piloto e comunicar amplamente. Isso irá gerar uma série de questionamentos sobre o critério de escolha do grupo para o piloto, reação negativa antecipada ao projeto, etc. O ideal é realizar uma comunicação direcionada para os usuários do piloto e informar para a organização o que está ocorrendo, para dar transparência ao processo.

É importante observar estas questões antes de iniciar um piloto, para não comprometer o lançamento amplo e não afetar a credibilidade da iniciativa que será implementada.

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